terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ativismo na internet acelerou queda de ditador na Tunísia

17 de janeiro - Manifestante enfrenta policiais nas ruas de Túnis. Foto: AFP Manifestante enfrenta policiais emTúnis; redes sociais contribuíram para queda de Ben Ali na última sexta-feira
Foto: AFP

Tariq Saleh
Direto de Beirute
A renuncia do ditador tunisiano Zine Al-Abidine Ben Ali no dia 14 de janeiro após quase um mês de violentos protestos teve a ajuda de um forte movimento na internet, entre blogueiros, usuários do Twitter e a rede social Facebook. Muitas das imagens que chegavam às grandes emissoras de TV internacionais foram feitas por ativistas nas ruas da capital Túnis.
Durante as semanas de violência e manifestações da população contra a corrupção, altas dos preços, desemprego e falta de democracia, vídeos começaram a aparecer no Facebook e Twitter mostrando a repressão imposta pelas forças de segurança do governo da Tunísia.
A mídia internacional rapidamente usou as imagens e as informações nas redes sociais e blogs de jornalistas locais e ativistas como fonte, mostrando uma mudança no comportamento das redações na busca de fontes. "Aproximadamente 3,6 milhões de tunisianos se conectam diariamente. A maioria das manifestações, incluindo aquela em frente ao palácio presidencial de Ben Ali foi organizada através do Facebook", contou a uma rádio francesa Phillip Rochot, um morador de Túnis.
A censura da mídia era uma das armas cruciais do regime de Ben Ali durante os 23 anos em que esteve no poder. Como em muitos países do mundo árabe, em que governos autoritários controlam jornais e emissoras de rádio e TV, o ativismo na internet se tornou a única maneira de cidadãos manifestarem suas frustrações.
Sites de compartilhamento de vídeos foram banidos na Tunísia até o dia anterior à renuncia de Ben Ali, quando o próprio presidente anunciou uma série de site que seriam bloqueados, como o YouTube.
Facebook
Mas o governo não contava com a força do Facebook, que permaneceu acessível na rede mundial e foi, segundo analistas, o grande responsável pelas imagens que correram o mundo com os protestos e repressão da polícia tunisiana, que deixou um saldo de mais de 60 pessoas mortas e centenas de feridos.
"Embora ativistas e jornalistas tenham usado outras mídias sociais também, o Facebook foi o grande culpado pela queda de Ben Ali. Através da rede social, jovens organizaram suas ações nas ruas, deixando o governo sem controle da informação", disse Magda Abu-Fadil, diretora do Programa de Treinamento em Jornalismo da Universidade Americana de Beirute, no Líbano.
De acordo com Mukhtar Trifi, diretor de Liga Tunisiana de Defesa dos Direitos Humanos, o Facebook virou uma forma de expressão para a maioria dos jovens desempregados da Tunísia, apesar do medo e repressão no país. "Vários problemas assolavam o país, todos sabiam mas ninguem falava a respeito. Nesse cenário, o Facebook virou a arma da juventude", disse ele ao prestigiado site americano The Huffington Post.
Ele explicou que a derrubada do poder de Ben Ali não teria sido possível sem o opoio do exército, mas que os tunisianos inundaram o Facebook com vídeos amadores com imagens da repressão policial, esquadrões de atiradores e violentos protestos em suas contas no Facebook direto de suas casas ou cybercafés.
"Muitos tunisianos tinham amigos e familiares morando fora do país, como na França e resto da Europa. Assim que os vídeos estavam na rede, eles se multiplicavam nas contas destes amigos, tornando impossível o controle pelo regime de Ben Ali", reiteirou Phillip Rochot.
Twitter e confiabilidade
Mas o fenômeno das redes sociais na cobertura de um grande evento começou em 2009, quando a conturbada eleição presidencial no Irã levou centenas de milhares de pessoas às ruas de várias cidades em protesto contra o resultado, que reelegeu o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Acusando o governo de fraudar o resultado do pleito, a oposição, liderada por seu candidato derrotado Mir Hussein Moussawi, mobilizou simpatizantes nas ruas que foram duramente reprimidos pela polícia e milícias pró-governo.
Com a mídia internacional censurada e controlada no país, as imagens dos protestos eram feitos pelos celulares e enviados pelo Twitter, onde as emisorras internacionais usavam para transmitir o que acontecia no país.
Uma das grandes questões que envolvem o uso das mídias sociais por jornalistas envolve a confiabilidade e credibilidade da informação.
Segundo Firas Al-Atraqchi, professor de Jornalismo da Universidade Americana do Cairo, nas primeiras duas semanas dos protestos na Tunísia, as informações que chegavam aos jornalistas internacionais vinha das redes sociais.
"O Twitter foi crucial para informar observadores e jornalistas estrangeiros. O Facebook foi atacado depois que o governo percebeu que imagens estavam chegando ao mundo através do site e desesperadamente tentou atacar e fechar contas de vários usuários", escreveu ele também em um artigo no The Huffington Post.
Para ele, as informações devem ser filtradas, em que as redações devem selecionar as imagens e depoimentos vindas de pessoas que estão testemunhando os eventos que acontecem em primeira mão.
"Uma das maneiras de fazer isso era pegar as informacões e imagens vindas de pessoas que se identificavam e depois checar se estas informações estavam sendo repetidas por outras pessoas. Depois, havia a confirmação por telefone com ONGs ou fontes oficiais para corroborar os fatos", disse ele.
Jovens no Oriente Médio vêm cada vez mais escolhendo o Twitter e Facebook como ferramentas para organizar protestos e quebrar anos de silêncio e repressão em seus países.
"Redes sociais não podem ser controladas pelos governos autoritários, é uma bola de neve que eles não têm como segurar. A informação está aí, e qualquer pessoa pode ter acesso. Nós não podemos mais ignorar isso", salientou Magda Abu-Fadil, de Beirute.
Especial para Terra
 
 
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